Abri as portas do quarto, as janelas, a porta do box, as portas do armário e abri ainda um frasco com um pouco do seu perfume. Só os vizinhos ouviram o meu grito.
Abri meu caderno, meus planos e meu baú. Abri álbuns, abri pastas, abri folhas coladas uma na outra como fomos um dia, e nada havia numa e noutra. As frentes escritas e, cada uma com seu texto para um lado.
Gritava ao fechar pastas, gavetas, arquivos, memórias, boca, olhos, portas de armários, sala, cozinha, box, banheiro e tudo na sala. Quis fechar minha vida por ali, assim como o porta-retrato da mesa de canto, mas ele havia de partido nas dobradiças naquele dia! Cada foto num canto.
Não fiz nada além de me flagelar pela vastidão desértica desse apartamento de um quarto, no oitavo andar, que por anos habitado com alegria era cobertura.
Não só, além de farol e porto seguro. Colo de mãe!
Mais uma vez abro a janela, observo a praça, vejo casais mas eles não a mim. Escuro apartamento que me esconde. Só se vê a brasa do cigarro.
Fecho seus olhos por sentir seu cheiro, lembro que o frasco ficou aberto, ao lado da cama.
Abri os olhos em seus braços... Somos nossos de novo!
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