domingo, 22 de agosto de 2010

Ponto!

Não aguentei e chorei. Chorei ao abrir os olhos, a porta do quarto, a geladeira, a janela e chorei mais ainda com tudo aberto. Mesmo assim não ouvi o mundo.
Abri as portas do quarto, as janelas, a porta do box, as portas do armário e abri ainda um frasco com um pouco do seu perfume. Só os vizinhos ouviram o meu grito.
Abri meu caderno, meus planos e meu baú. Abri álbuns, abri pastas, abri folhas coladas uma na outra como fomos um dia, e nada havia numa e noutra. As frentes escritas e, cada uma com seu texto para um lado.
Gritava ao fechar pastas, gavetas, arquivos, memórias, boca, olhos, portas de armários, sala, cozinha, box, banheiro e tudo na sala. Quis fechar minha vida por ali, assim como o porta-retrato da mesa de canto, mas ele havia de partido nas dobradiças naquele dia! Cada foto num canto.
Não fiz nada além de me flagelar pela vastidão desértica desse apartamento de um quarto, no oitavo andar, que por anos habitado com alegria era cobertura.
Não só, além de farol e porto seguro. Colo de mãe!
Mais uma vez abro a janela, observo a praça, vejo casais mas eles não a mim. Escuro apartamento que me esconde. Só se vê a brasa do cigarro.
Fecho seus olhos por sentir seu cheiro, lembro que o frasco ficou aberto, ao lado da cama.
Abri os olhos em seus braços... Somos nossos de novo!

sábado, 21 de agosto de 2010

Estou vivendo uma solidão que me corta

Me corta em luzes que atravessam meu corpo

Água em peneira

Me atravessa, inunda e não preenche, de tão solidão que é.

E entristece a alma sem ternura do ser quente e contido que sou por tudo que sou de só

Não me basto mais

Do que adianta poemas de Florbela ou letras da Bethânia com mais conhaque

Luzes de escuridão fiz

Tentei que ela iluminasse o apartamento para eu mesmo não me enxergar. Mal.

Tocos de velas em cantos ou mesmo no meio da sala, para ser a luz fraca.

Mas sai de mim a luz escura de solidão que me angustia.

Mesmo aqui em dia de sol vejo tudo mais escuro que o fundo do rio do Rosa.

Isso é hoje.

Amanhã to solto dessas amarras de novo

Trabalho

Estudo

Intectualizo

Num preciso de mendigarias ou mesmo da titica que sai do seu cérebro

E que vem do seu intestino, onde você põe o seu chapéu de marca.

Não preciso de você

Você não precisa de mim

E eu vivo feliz por isso

Sem ter você no meu caminho, ele será de luz!