E nos vimos mais uma vez. Sutilmente, toquei-o para que me percebesse e pedi que não me evitasse, que não se virasse ao outro lado por ter me visto. Ouvi "mas eu fiz isso?" Até me convenceu que não o fez.
Ali, mais uma vez, em meio a muita gente, luz e fumaça, conversamos um pouco, bem pouco. Logo já me vi entregue, na verdade, tomado por fortes braços, de textura concreta, expressiva e cultivada.
Após um fôlego tomado, só pude sussurar que já havia me convencido e que para qualquer lugar me levaria com livre e espontânea vontade e faria comigo o que quisesse.
Continuava o mesmo. O mesmo continuava a usar o mesmo xampú, o mesmo perfume, gel pós-barba e as melhores cuecas. Sempre!
Leves mãos, tão suaves sempre, me circulavam a cintura, peito e nuca. Rosto, nas minhas pernas força. Dele, pois as minhas estinguram-se ao primeiro toque de lábios.
Declarações quentes novamente ao pé do ouvido me faziam arrepiar pelo risco de tanta coisa. Um novo amor ou o mesmo de antes? Antes? Mas já houve esse amor? Se não houve, há agora. Só de agora, ou durativo?
Sim, nos levamos como se nos amássemos. E fomos amando até onde pudemos de fato fazê-lo.
Muita cama, muita vontade e pouca luz. E agora eu era mais dele do que do mundo e sentia mais ali meu mundo do que qualquer um outro. Terra, Mercúrio, Urano, Vênus, tanto faz! Eramos dois e, em pouco, um. Em qualquer mundo, seriamos um.
Horas de êxtase. Foi meu homem e eu mais homem dele que qualquer um. Pois não era qualquer um. O tinha em mim, era dele, corpos e mentes entregues e ponto.
De tudo, tudo, tudo foi. Tudo fui, inclusive puto!
O tudo mais, mais que foi e só.
E hoje passo no livro as boas lembranças e as visitas reais, virtuais, sentimentais, mentais para desejar mais um casual encontro.
Disse que podia me levar para onde quisesse e, simplesmente, me levou à loucura.
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